BREVE HISTÓRICO DA ORDEM DA IMACULADA CONCEIÇÃO

A Ordem da Imaculada Conceição foi fundada em 1484 por Santa Beatriz da Silva e Menezes, em Toledo (Espanha). Obteve aprovação pontifícia em 30 de abril de l489, pela Bula “Inter Universa” do Papa Inocêncio VIII.

1. A FUNDADORA
       Beatriz da Silva e Menezes nasceu em Ceuta, cidade do Norte da África, nessa época sob o domínio de Portugal. Nasceu então portuguesa. O feliz evento ocorreu em 1424. Seu pai, D. Rui Gomes da Silva, quando jovem havia combatido na referida cidade de Ceuta em 1415, saiu-se tão bem que em recompensa pelos serviços militares que o primeiro governador de Ceuta, D. Pedro de Menezes e Conde de Viana, deu-lhe em casamento sua filha Isabel de Menezes. Era esta, por diversas alianças, aparentada com as casas reais de Espanha e Portugal. Deste matrimonio nasceram onze filhos, criados e educados com amor e com a esclarecida prudência da alma profundamente cristã dos progenitores, sobretudo da mãe. Pelo ano de 1433 o pai de Beatriz foi nomeado governador de Campo Maior, em Portugal, para onde se transferiu com toda família. Aí transcorreram os anos da infância e juventude de Beatriz. Sua primeira biógrafa deixou-nos o seguinte elogio: “Era muito bela, prudente, afável, inteligente, composta e de muita gentileza, devotíssima da Imaculada
Conceição da Mãe de Deus, a quem sempre invocou como sua advogada e protetora”.
       No ano de 1447, Isabel, filha de João (Príncipe de Portugal), quando casou com D. João II, Rei de Castela, levou consigo para a corte de Tordesilhas, sua bela prima Beatriz, como dama de honra. Contava ela 23 anos. Sua presença na corte não passou despercebida. Sua formosura cativante encantou a todos. Contudo, de todos os galanteios e amorosas perseguições dos fidalgos, Beatriz se esquivava discretamente sem se comprometer com algum deles. Recusou diversos pedidos de honrosos casamentos.
       Beatriz escolhera um amor superior. Possuía fortuna, nobreza, honra, formosura, alta posição na sociedade, possibilidade de um futuro brilhante; mas, acima de tudo, ela possuía a riqueza de um coração puro, dedicado inteiramente ao amor de Deus. Amava a beleza suprema que nunca envelhece e sabia que as criaturas apenas são reflexos das perfeições do Criador. No luxo e no fausto da corte manteve o seu coração fiel ao propósito de amar a Deus só, embora não fosse indiferente ao calor humano dos que a rodeavam.
       Há, no fundo de cada ser humano, um núcleo, onde só Deus penetra. Quem sabe acolher a Deus, nesse núcleo, tem a clarividência necessária para perceber o rumo que deve tomar no destino de sua vida. Ou pelo menos a posição que deve tomar diante de certos acontecimentos. Beatriz tinha a convicção interior e segura de que deveria fazer algo de superior, algo mais do que um belo casamento. E, coerente com a as suas convicções, aguardava que Deus manifestasse a sua divina vontade.
       A vida na corte tornou-se difícil para Beatriz. De um lado sentia-se o ídolo dos cortesãos, de outro lado era objeto de ciúmes e mexericos da outras damas. Até a Rainha Isabel andava enciumada. Notava que o Rei D. João II tratava com deferência e estima a sua bela prima. Já não via em Beatriz a sua fiel dama, mas uma rival que poderia ocupar seu lugar no coração do Rei e, quem sabe, até o trono! E como o ciúme e a inveja cegam o coração humano a Rainha decidiu livrar-se de Beatriz.
       Certo dia, a Rainha conduziu Beatriz aos subterrâneos do castelo, a um lugar oculto por ela preparado, e ali trancou Beatriz dentro de uma grande arca que lhe serviria de túmulo, segundo os intentos da Rainha. Sepultada viva morreria asfixiada e ninguém o saberia. Só a Rainha ao sair dali levou consigo o aguilhão do seu crime. Beatriz desaparece inesperadamente dos salões da corte. Onde estaria ela? Todos se perguntavam, mas ninguém ousava questionar a Rainha. Passaram-se três dias e Beatriz não reaparece. Seu irmão D. Fernando, que com ela estava na corte, e seu tio D. João de Menezes, resolveram pedir satisfação à Rainha. Isabel, enfurecida por se ver molestada por eles, gentis homens que gozavam de grande prestígio junto ao Rei, e pensando que Beatriz já estava morta, conduziu D. João ao subterrâneo para mostrar-lhe o cadáver da sobrinha.
       Entretanto, Beatriz, ao ver-se fechada na arca sem luz e sem ar, reconheceu que sua vida chegara ao termo e entregou-se nas mãos de Deus. Muitas vezes Deus espera estas horas terríveis para agir! Todos os crimes e maldades dos homens não demovem Deus de realizar seus planos. A sabedoria de Deus é tal que muitas vezes utiliza o fundo negro das ações humanas para realçar o brilho de suas obras. Assim aconteceu com Beatriz. No momento em que aguardava a morte, na escuridão da arca, apareceu-lhe a Virgem Imaculada, vestida de branco e manto azul, com o Menino Jesus nos braços. A Virgem consolou-a e assegurou-lhe que sairia ilesa daquele lugar para fundar uma Ordem Religiosa em honra de sua Imaculada Conceição. Suas filhas deveriam vestir-se de branco e azul e imitar as virtudes da Mãe de Deus enquanto viveu nesta terra. Beatriz, confortada pela visão de Nossa Senhora, passou aqueles dias sem dar conta do tempo.
       Quando a Rainha, num frêmito de nervosismo, abriu a arca para mostrar uma defunta a D. João de Menezes, Beatriz apareceu mais linda do que antes!
Sem perda de tempo, Beatriz arrumou suas coisas e partiu de Tordesilhas para Toledo. Chegando a Toledo, dirigiu-se ao antigo Convento de São Domingos de Silos, das Monjas Cistercienses, onde permaneceu não como religiosa, mas como pensionista.
Trinta anos se passaram. Trinta anos de espera para realizar uma obra que certíssimamente era desejada por Deus e por Nossa Senhora. Por que esperou tanto tempo? Por que não realizou logo o que a Virgem lhe pedira?
       Deus é a força motora que realiza tudo que é positivo no universo e, sobretudo, é a força motora das almas que se deixam guiar pelo seu Espírito. Em nossa sociedade somos sempre estimulados a apressar nossas obras porque a nossa vida é curta. Mas Beatriz estava destinada a realizar uma obra de Deus e não dos homens. Obra formada por elementos humanos, não há dúvida, mas realizada por vontade de Deus. E Deus age segundo seus critérios. Jesus não esperou trinta anos para iniciar publicamente sua obra messiânica? Beatriz, fiel discípula de Cristo, seguiu também a senda de seu Mestre. Nestes trinta anos, sua fé se consolidou, se aperfeiçoou. Sua esperança se firmou em Deus só, como uma rocha inabalável. Ela estava destinada a ser a pedra fundamental de uma grande obra. E as obras que atravessam os séculos precisam de alicerces firmes. Beatriz amadureceu em todas as virtudes humanas e cristãs e se preparou longamente para executar os planos de Deus.
       A criminosa Rainha que tentara matar Beatriz tivera uma filha que se chamou também Isabel. Esta princesa era diferente de sua mãe. Ficou conhecida na História como Isabel, a Católica.
       Em 1484, Isabel resolveu visitar sua prima Beatriz em Toledo. Beatriz comunicou-lhe então o desejo que tinha de fundar uma casa religiosa dedicada ao culto da Imaculada Conceição. A Rainha sentiu-se feliz em poder ajudá-la e ofereceu-lhe os palácios de Galiana, em Toledo, que tinha ao lado uma Igreja dedicada a Santa Fé ( Galiana foi uma princesa, filha de um rei mouro, que em eras passadas havia dominado a Espanha). Beatriz reconheceu nesse fato a hora da providência e foi transformar aquele palácio antigo em um novo mosteiro, o primeiro da Ordem da Imaculada Conceição. Levou consigo doze jovens, entre elas sua sobrinha Filipa da Silva, que veio a ser sua primeira sucessora.
       Durante cinco anos preparou e instruiu suas “noviças” sobre o novo estilo de vida que iriam levar, dando-lhes uma sólida formação espiritual, capaz de enfrentar os contratempos e dificuldades que, por certo, viriam no futuro. Fez as acomodações necessárias para transformar o velho edifício em convento. Compôs uma regra própria e a enviou ao Sumo Pontífice Inocêncio VIII para ser aprovada. O Papa aprovou a Ordem e a forma do hábito mas ordenou-lhe que escolhesse uma das Regras já aprovadas pelos pontífices anteriores, pois o Concílio de 1215 proibia fundar novas Ordens com regras diferentes das que já existiam. Beatriz escolheu a Regra de Cister e só vinte anos depois de sua morte, o Papa Júlio II aprovou a Regra própria.
       Aprovada a Ordem em 1489, o Bispo diocesano promulgou solenemente a bula em Toledo e marcou para a véspera de São Lourenço a tomada de hábito e profissão religiosa de Beatriz e suas companheiras. Faltando dez dias para o momento tão desejado, Beatriz caiu enferma e, vendo que se aproximava a hora do desenlace, pediu o hábito de sua Ordem. E, tendo-o recebido das mãos do Bispo, fez sua Profissão Religiosa, tornando-se assim, canonicamente a primeira monja professa da Ordem que fundara.
Morrer na hora de realizar o sonho que acalentara durante tantos anos!! Sim, Beatriz já tinha realizado tudo o que Deus desejava dela; agora cabia a outras levar avante a sua obra. Ela preparou a terra e lançou a semente que iria germinar pelos séculos afora. Santa Beatriz da Silva e Menezes foi beatificada pelo papa Pio XI no dia 28 de julho de 1926 e canonizada em 03 de outubro de 1976 pelo Papa Paulo VI.

2. EXPANSÃO DA ORDEM
A Ordem de Santa Beatriz teve que enfrentar, nos primeiros momentos, sérias dificuldades. Morta a fundadora, depois de professar in articulo mortis, antes que se pusesse em marcha a fundação, tudo teria sido desfeito se não a tivesse socorrido providencialmente o Frei João de Tolosa, OFM, confessor da Fundadora. Mas, uma vez superada a crise inicial, a nova família religiosa alcançou, em pouco tempo, um próspero desenvolvimento. Tem-se notícia de 46 fundações de 1504 a 1526; de outras 58 (entre as quais 20 na América Latina) entre 1526 e 1605; de outras 52 no século XVII; 12 no século XVIII; 22 no século XIX e de 43 no século XX. A Ordem goza, pois de uma vitalidade esperançosa.
As Concepcionistas foram, cronologicamente falando, as primeiras monjas do Novo Mundo. A Concepción do México foi erigida em 1540 a pedido do Bispo Juan de Zumárraga. As primeiras Clarissas chegariam a Santo Domingo em 1552, isto é, doze anos depois.
No nosso século a Ordem da Imaculada Conceição floresceu com uma fecundidade surpreendente, sobretudo na América Latina. Um total de 44 novos Mosteiros em pouco mais de meio século, 36 dessas novas fundações correspondem ao Brasil, México e Colômbia.
Atualmente, somos aproximadamente 161 Mosteiros:
Argentina ? 01
Bélgica ? 01
Bolívia ? 02
Brasil ? 19
São Paulo – 06
Minas Gerais – 05
Paraná - 02
Bahia – 01
Piauí – 01
Ceará – 01
Rio de Janeiro - 01
Santa Catarina – 01
Goiás - 01
Colômbia ? 23
Equador ? 06
Espanha ? 84
Guiné Equatorial ? 01
México ? 20
Peru ? 03
Portugal ? 02
Mais ou menos 3.500 Irmãs.

3. O CONVENTO DA LAPA – O PRIMEIRO DA ORDEM NO BRASIL
O Convento Lapa, fundado por João de Miranda Ribeiro auxiliado por Manoel Antunes de Lima e outras pessoas piedosas, foi inaugurado a 07 de dezembro de 1744. Foi o primeiro Mosteiro da Ordem da Imaculada Conceição no Brasil. Duas religiosas do Convento do Desterro trocaram o hábito de Santa Clara pelo hábito da Ordem da Imaculada Conceição e, com 15 jovens, formaram a primeira Comunidade da Ordem na nossa terra.
O Convento da Lapa foi também o cenário da Vida Religiosa e do Martírio da Madre Joana Angélica de Jesus, a heroína Baiana. Assassinada em 20 de fevereiro de 1822.
Por motivo da proibição do governo de entrarem novos elementos na Vida Religiosa, faltaram vocações. Então, as Irmãs do Bom Pastor ocuparam o Convento da Lapa e aí permaneceram até março de 1957. No dia 02 de maio do mesmo ano uma nova Comunidade Concepcionista povoou novamente o seu Convento. Por vinte e nove anos tentamos renovar o prédio mas não conseguimos por causa da imensidão da construção. A vida, para a pequena comunidade foi se tornando insustentável: era muito espaço para pouca gente!!
Em 20 de abril de 1985 a Comunidade foi transferida para o novo Mosteiro de Brotas, construído pela Prefeitura Municipal de Salvador como indenização pelo terreno ocupado na construção da Estação de Transbordo Lapa.
Com Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, queremos conceber a cada momento a graça de Deus, perceber sua presença adorável e receber o dom inefável do seu amor que devemos transmitir pela vivência fraterna, para que nossa vida seja fecunda para o Reino.

PRINCIPAIS DATAS DURANTE O ANO

16 de fevereiro – Expedição da Bula Fundacional Inter Universa.Papa Inocêncio VIII.
30 de abril – Execução da Bula Fundacional Inter Universa.
28 de julho – Beatificação de Nossa Mãe Santa Beatriz (1926). Papa Pio XI.
17 de agosto – Festa Litúrgica de Nossa Mãe Santa Beatriz.
17 de setembro – Aprovação da Regra Própria (1511). Papa Júlio II.
O3 de outubro – Canonização de Nossa Mãe Santa Beatriz (1976). Papa Paulo VI.
04 de outubro – São Francisco de Assis
08 de dezembro – Imaculada Conceição (Solenidade máxima da Ordem)