“O
PRESÉPIO É UMA ESCOLA DE VIDA”

Caros
irmãos e irmãs!
Já
estamos no terceiro domingo do Advento. Hoje na liturgia ecoa
o apelo do Apóstolo Paulo: "Alegrai-vos sempre no
Senhor! Repito, alegrai-vos... o Senhor está próximo”
(Filipenses 4:4-5). A mãe Igreja, enquanto nos prepara
para o santo Natal, ajuda-nos a redescobrir o sentido e o sabor
da felicidade cristã, tão diferente daquela do
mundo. Neste domingo, dando continuidade a uma bela tradição,
as crianças de Roma trazem ao Papa, para que sejam abençoadas,
as pequenas estátuas do Menino Jesus, que serão
depois colocadas em seus berços. E, de fato, vejo presentes,
aqui na Praça de São Pedro, tantas crianças
e adolescentes, juntamente com pais, professores e catequistas.
Caríssimos,
vos saúdo com todo o afeto e vos agradeço por
terem vindo. Para mim é motivo de grande júbilo
saber que em vossas famílias se conserva a tradição
de montar o presépio. Porém, ainda que importante,
repetir este gesto tradicional não é suficiente.
É necessário buscar viver, na realidade do dia-a-dia,
aquilo que o presépio representa, isto é, o amor
de Cristo, a sua humildade, sua pobreza. Foi o que fez São
Francisco de Assis em Greccio: representou ao vivo a cena da
Natividade, para assim poder contemplá-la e adorá-la,
mas principalmente para que pudesse saber a melhor forma de
pôr em prática a mensagem do Filho de Deus, que
por amor a nós despojou-se de tudo e se fez uma pequena
criança.
A
bênção dos “Bambinelli” –
como se diz em Roma – nos lembra que o presépio
é uma escola de vida, do qual podemos aprender o segredo
da verdadeira felicidade. Esta não consiste de muitas
posses, mas em nos sentirmos amados pelo Senhor, em doar-se
aos outros e no querer bem. Olhemos para o presépio:
Nossa Senhora e São José não parecem uma
família de muita sorte; tiveram seu primeiro filho em
meio a grandes dificuldades; e, no entanto, estão plenos
de alegria interior, porque se amam, se ajudam, e, principalmente,
porque estão certos de que Deus está a operar
em sua história, o Qual se fez presente no pequeno Jesus.
E quanto aos pastores? Que motivos teriam para se alegrarem?
Aquele recém-nascido não mudará sua condição
de pobreza e marginalização. Mas a fé os
ajuda a reconhecer no “menino envolto em faixas e deitado
numa manjedoura”, o “sinal” do cumprimento
das promessas de Deus para todos os homens “que são
do seu agrado” (Lc 2,12.14), inclusive para eles!
É
nisto, caros amigos, que consiste a verdadeira felicidade: no
sentir que nossa existência pessoal e comunitária
é visitada e preenchida por um grande mistério,
o mistério do amor de Deus. Para sermos felizes, necessitamos
não apenas de coisas, mas também de amor e de
verdade: necessitamos de um Deus próximo, que aqueça
nosso coração, que responda aos nossos anseios
mais profundos. Esse Deus se manifestou em Jesus, nascido da
Virgem Maria. Por isso, aquele Menininho, que colocamos na cabana
ou na gruta, é o centro de tudo, é o coração
do mundo. Oremos para que cada homem, como fez a Virgem Maria,
possa acolher, como o centro da própria vida, o Deus
que se fez Menino, fonte da verdadeira felicidade.
Papa
Bento XVI
Discurso de introdução ao Angelus na praça
de São Pedro
13/12/2009